Recentemente, Yamaguchi Ichirō, executivo da Nissan, revelou, durante um evento público, que, ao adotar sistematicamente a organização de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e as práticas tecnológicas das montadoras chinesas, a Nissan conseguiu encurtar significativamente o ciclo de desenvolvimento de novos veículos — o tempo necessário para lançar um novo modelo passou de 50 meses para 37 meses; atualizações convencionais de modelos agora são concluídas em até 30 meses; já o desenvolvimento do novo modelo topo de gama Skyline levou apenas 26 meses.

Yamaguchi destacou que o ritmo da concorrência no setor está acelerando como nunca antes: «Se não conseguirmos lançar no mercado produtos inovadores alinhados à demanda do consumidor com maior velocidade, a empresa perderá seu espaço de sobrevivência». Para enfrentar esse desafio, a Nissan não apostou apenas em melhorias pontuais de tecnologia, mas reestruturou integralmente seu sistema de P&D em três frentes simultâneas: processos, organização e ferramentas.
No nível dos processos, a Nissan abandonou o antigo modelo — que buscava uma «experiência perfeita em todas as dimensões» e resultava em repetidas revisões iniciais e na avaliação paralela de múltiplas soluções — e passou a adotar uma estratégia de família de produtos baseada em «pontos rígidos centrais compartilhados», concentrando esforços no aprimoramento de desempenho-chave e vantagens na experiência do usuário, reduzindo drasticamente desperdícios internos. Na estrutura organizacional, foram eliminadas as funções paralelas de Diretor de Projeto, Gerente de Planejamento de Produtos e Engenheiro-Chefe; agora, o Diretor de Projeto assume total responsabilidade pela coordenação, enquanto o Engenheiro-Chefe responde diretamente pelos objetivos do projeto, diminuindo substancialmente os custos de comunicação entre áreas.
No campo das ferramentas tecnológicas, a Nissan está implementando em larga escala modelagem e testes com IA, gêmeos digitais e simulações virtuais em realidade virtual (RV), permitindo que grande parte dos testes de validação seja realizada no ambiente virtual, sem necessidade de protótipos físicos; sistemas automatizados de teste complementares suportam operação noturna sem supervisão humana, ampliando efetivamente a janela de desenvolvimento.
No entanto, a Nissan reconhece abertamente que seus atuais ciclos de 26–37 meses ainda ficam atrás dos 18–24 meses alcançados pelas principais montadoras chinesas. Parte dessa diferença decorre de contrastes culturais no trabalho entre Japão e China — equipes locais japonesas têm dificuldade em manter o ritmo de colaboração intensa quase contínuo (24 horas por dia) observado nas equipes chinesas, deixando margem para futuras otimizações.
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