A BMW está apostando todas as suas fichas na muito aguardada plataforma elétrica Neue Klasse (Nova Geração), na tentativa de reverter dois anos consecutivos de queda nas vendas na China. Contudo, quando o primeiro modelo da Nova Geração desenvolvido especificamente para o mercado chinês — o SUV iX3 — estiver previsto para chegar ao mercado em novembro de 2026, o ritmo tecnológico e as preferências dos consumidores no setor automotivo elétrico chinês já terão sofrido profundas transformações.

Segundo dados oficiais divulgados pela BMW, suas vendas na China caíram 30% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Pouco tempo após assumir o cargo, o novo CEO da empresa, Milan Nedeljković, emitiu um alerta de lucratividade, atribuindo parcialmente esse desempenho fraco ao enfraquecimento do mercado chinês — trata-se do terceiro aviso desse tipo emitido pela BMW nos últimos três anos.
Zhang Junyi, diretor-geral da consultoria xangaiense Automotive Foresight, observa: "Se este novo veículo tivesse sido lançado dois anos antes, poderia ter mudado as regras do jogo; mas, no atual cenário automotivo chinês, dificilmente conseguirá se destacar." Atualmente, novos players locais como NIO ET9 já utilizam demonstrações cênicas — por exemplo, atravessar lombadas com taças de champanhe equilibradas no teto do carro — para evidenciar de forma intuitiva a precisão do ajuste das suspensões inteligentes; enquanto marcas como Xiaomi e Zeekr reduziram seu ciclo de desenvolvimento de veículos inteiros para cerca de 18 meses, atualizando continuamente suas funcionalidades inteligentes em ritmo duas vezes mais rápido que o das montadoras tradicionais.
Dados indicam que, no primeiro semestre de 2026, a participação dos modelos 100% elétricos da BMW nas vendas na China foi de apenas cerca de 5%, bem abaixo da taxa de penetração nacional de veículos novos energéticos, que atingiu 46%. No mesmo período, as vendas da Mercedes-Benz e da Audi na China caíram respectivamente 28% e 19%. Wang Xianbin, vice-diretor do Instituto Gasgoo de Pesquisa, afirma diretamente: "O consumidor chinês já não dá crédito à narrativa de 'herança de engenharia alemã'."
Vale destacar que o lançamento do BMW iX3 na China foi adiado devido a ajustes no sistema de condução autônoma: a solução originalmente desenvolvida internamente foi abandonada, sendo substituída pela tecnologia de assistência à condução fornecida pelo parceiro chinês Momenta. A BMW ressalta que essa decisão visa atender à demanda inadiável dos usuários locais por funções avançadas de condução autônoma, mantendo, ao mesmo tempo, sua lógica de desenvolvimento baseada em "testes rigorosos em todo o ciclo de vida para garantir segurança".
No entanto, diversos analistas do setor consideram que reduzir preços e terceirizar tecnologia não resolverão o problema estrutural. Dados da consultoria LandRoads mostram que, em 2025, o preço médio de venda da BMW na China foi de 341.000 yuans, ficando abaixo das marcas locais premium NIO, AITO e DENZA; além disso, Wang Xianbin, do Gasgoo, complementa: "A definição dos produtos ainda depende fortemente das decisões tomadas na sede de Munique, o que resulta em uma clara defasagem na compreensão das necessidades reais dos consumidores chineses."
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