Honda considera construir nova fábrica de montagem na América do Norte, com capacidade canadense sob pressão tarifária

Após investimento em veículos elétricos ser adiado, oitava fábrica norte-americana pode acelerar deslocamento para os EUA

Dois meses após suspender, por tempo indeterminado, seu investimento de 15 bilhões de dólares norte-americanos na cadeia de suprimentos de veículos elétricos no Canadá, a Honda está avaliando a construção de uma nova fábrica de montagem de veículos completos na América do Norte — uma iniciativa que, longe de fortalecer suas operações canadenses, pode ainda mais enfraquecer sua presença fabril no país.

Modelo 2026 de Honda CIVIC em vermelho, vista lateral direita completa, fundo de rua urbana

Segundo revelou o presidente-executivo da Honda, Toshihiro Mibe, ao jornal japonês Yomiuri Shimbun em 18 de julho, caso concretizada, esta seria a oitava fábrica de montagem de veículos completos da Honda na América do Norte, destinada a sustentar o crescimento regional de vendas e a criar uma "capacidade de produção tampão". No entanto, Ken Chiu, porta-voz da Honda no Canadá, enfatizou que atualmente a empresa "continua avaliando" as necessidades de capacidade produtiva, "sem ter tomado qualquer decisão sobre a construção de uma nova fábrica".

Ainda que Mibe não tenha divulgado possíveis localizações, diversos especialistas do setor indicam que, num contexto de tensões comerciais contínuas entre Estados Unidos, Canadá e México, caso o projeto avance, a escolha de um local nos EUA será praticamente inevitável. Greig Mordue, professor de engenharia da Universidade McMaster e ex-executivo da TOYOTA no Canadá, afirmou: "Investimentos adicionais naturalmente seguem o caminho de menor resistência — e o maior mercado não está no Canadá, mas sim nos Estados Unidos."

A incerteza permanece elevada. A renegociação do Acordo entre Estados Unidos, México e Canadá (USMCA) e as eleições legislativas norte-americanas podem redefinir a política tarifária, mas Ryan Robinson, líder de pesquisa automotiva da Deloitte, observa: "Se tarifas significativas persistirem após a renegociação, será difícil justificar novos investimentos produtivos no Canadá ou no México." Sam Fiorani, vice-presidente da AutoForecast Solutions, também avalia que a nova fábrica estará quase certamente localizada nos EUA: "Essa medida reduzirá o volume de veículos produzidos no Canadá e no México destinados ao mercado norte-americano."

A Honda atualmente emprega mais de 4.000 pessoas em Alliston, Ontário, onde fabrica os modelos CR-V, CIVIC e motores de quatro cilindros. Apesar das elevadas tarifas aplicadas às exportações canadenses para os EUA, sua fábrica canadense opera em plena capacidade. Mordue explica que o compromisso da Honda com seus funcionários locais é um fator-chave para manter essa unidade; contudo, suas fábricas norte-americanas já estão próximas da capacidade máxima, tornando inviável, a curto prazo, absorver a transferência da produção canadense.

Vale destacar que a Honda recentemente retirou-se do projeto de veículos elétricos anteriormente planejado no Canadá: o plano integrado anunciado em 2024 — que incluía montagem de veículos elétricos completos, produção de células de baterias e, pelo menos, duas fábricas de materiais para baterias — foi suspenso. Atualmente, seu foco de crescimento na América do Norte está voltado para veículos híbridos, especialmente o CR-V: na primeira metade de 2026, esse modelo registrou vendas superiores a 250 mil unidades no Canadá e nos EUA, com aumento de quase 5% em relação ao ano anterior. Cerca de 75% da produção anual canadense (aproximadamente 400 mil unidades) é exportada para os EUA, enquanto o CR-V também é fabricado simultaneamente nas fábricas de Ohio e Indiana.

Dave Jamieson, CEO da Honda no Canadá, reconheceu, durante a convenção anual da Associação de Fabricantes de Peças Automotivas de Markham, Ontário, em junho: "Não enfrentamos apenas mudanças — enfrentamos um teste direto à presença da Honda no Canadá e ao futuro a longo prazo da indústria automobilística canadense." Ele também apontou que novas regulamentações federais sobre emissões e a entrada de veículos subsidiados da China no mercado canadense são variáveis que intensificam ainda mais esses desafios.

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