Apesar da contínua queda nas vendas na China, a montadora Honda anunciou, em julho de 2026, a renovação do seu acordo de empreendimento conjunto com a GAC Group, estendendo o prazo de operação da joint venture GAC Honda até 2038. Essa decisão é vista como um sinal inequívoco do compromisso de longo prazo da Honda com o mercado chinês e reflete as difíceis escolhas estratégicas enfrentadas pelas montadoras estrangeiras diante da onda de eletrificação.

Segundo dados divulgados pela subsidiária chinesa da Honda — Honda Automobile Investment (China) Co., Ltd. — suas vendas na China caíram drasticamente de 1,63 milhão de unidades no pico de 2020 para apenas 645 mil unidades em 2025, uma redução de quase 60%. Nesse período, as vendas da GAC Honda despencaram de 807 mil unidades em 2020 para 352 mil unidades em 2025; no primeiro semestre de 2026, registraram ainda uma queda anual de 46%, com menos de 90 mil unidades comercializadas. Paralelamente, as entregas totais da Honda na China caíram 35% no ano, totalizando 206 mil unidades.
Por trás dessa queda vertiginosa está a lentidão na transformação da estrutura de produtos e a perda de competitividade frente aos concorrentes locais. Em 2023, a GAC Honda encerrou a produção nacional da marca Acura, que posteriormente saiu completamente do mercado chinês. Em 2024, embora a Honda tenha iniciado a produção em série dos modelos totalmente elétricos da série e:N por meio de suas duas joint ventures, os novos veículos não conseguiram desafiar o bloco de marcas chinesas autônomas — que combinam preços competitivos e alta capacidade de inteligência artificial. Os produtos elétricos da Honda são amplamente considerados deficientes em termos de capacidade de definição por software e vantagem de custo.
Toshihiro Mibe, presidente da Honda, admitiu abertamente, em entrevista exclusiva ao jornal Yomiuri Shimbun em 18 de julho: "Nossos negócios na China 'levaram um golpe duro'." Ele destacou que "o futuro da indústria automobilística global girará em torno dos fabricantes chineses, cuja competitividade em custos já se tornou o novo padrão setorial", e enfatizou que "evitar competir com a China equivale a render-se voluntariamente", concluindo que "romper a joint venture seria, portanto, uma decisão absolutamente inadequada".
A Honda planeja reconstruir sua competitividade por três vias: primeiro, adotando componentes padronizados locais para otimizar custos; segundo, incorporando plataformas integrais de veículos novos energéticos fornecidas por parceiros; e terceiro, acelerando a integração de tecnologias chinesas de próxima geração. Contudo, até a data oficial de divulgação da declaração — 14 de maio de 2026 — a Honda ainda não revelou detalhes concretos sobre seus planos de lançamento de modelos, origem das plataformas ou parcerias tecnológicas específicas.
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