Tesla processa a província canadense de Manitoba por exclusão de seu direito ao subsídio para veículos elétricos

Alega perdas superiores a 560 mil dólares canadenses para clientes e invoca precedente vitorioso em Ontário de 2018

A empresa Tesla apresentou recentemente uma ação de revisão judicial formal perante o Tribunal Superior de Manitoba (Court of King's Bench), no Canadá, acusando a província de excluí-la unilateralmente do programa provincial de subsídios para veículos elétricos (VE), configurando assim injustiça processual e tratamento discriminatório.

Mudança súbita na política de subsídios: Tesla é explicitamente excluída

Manitoba lançou, no verão de 2024, um programa provincial de subsídios para a compra de veículos elétricos com valor total de 25 milhões de dólares canadenses, oferecendo reembolsos máximos de 4.000 dólares canadenses para veículos novos com preço inferior a 70.000 dólares canadenses e de 2.500 dólares canadenses para veículos usados. Contudo, no orçamento provincial divulgado em março de 2025, o governo do Novo Partido Democrático anunciou a exclusão da Tesla — bem como de todos os veículos elétricos fabricados na China — da lista de marcas elegíveis.

O ministro das Finanças, Adrian Sala, descreveu publicamente essa medida como uma iniciativa econômica de "prevenção da americanização à Trump", destacando tratar-se de uma "resposta contundente" às tarifas impostas pelos Estados Unidos. A primeira-ministra Wab Kinew afirmou ainda, de forma direta: "Cortamos a ligação com ele (referindo-se a Musk)."

Antes da exclusão: Tesla era o maior beneficiário do programa

Ironicamente, conforme consta nos documentos judiciais obtidos por meio de pedido de acesso à informação, entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025, veículos Tesla receberam 337 subsídios, totalizando cerca de 1,3 milhão de dólares canadenses — mais de 20% do montante total distribuído pelo programa provincial nesse período, sendo a maior participação individual entre todas as marcas.

Argumentos centrais: ausência de processo e exclusão direcionada

Na revisão judicial apresentada em junho de 2025, a Tesla alega não ter recebido qualquer explicação formal por escrito; desconhecer qual autoridade tomou a decisão, nem se tal autoridade detinha competência legal para isso; e só ter tomado conhecimento da exclusão por meio de reportagens jornalísticas. A empresa enfatiza que todas as demais montadoras com matriz norte-americana (como a General Motors e a Ford) permanecem incluídas no programa — com exceção exclusiva da Tesla.

Além disso, a Tesla destaca já estar registrada como entidade jurídica canadense em Nova Escócia e empregar trabalhadores locais, sustentando possuir plena capacidade legal para participar do programa. Seus pedidos incluem a restauração imediata de sua elegibilidade ao subsídio, bem como o pagamento retroativo dos reembolsos devidos aos clientes canadenses que adquiriram veículos após a mudança de política em março de 2025 — cujas perdas estimadas já ultrapassam 560 mil dólares canadenses.

Precedente decisivo: caso de Ontário pode ser referência-chave

Este caso não é isolado. Em 2018, o governo de Ontário, liderado pela Ford, encerrou seu programa provincial de subsídios para VE e, por meio de disposições transitórias, também excluiu a Tesla. A Tesla então moveu uma ação judicial, e o tribunal decidiu que tal procedimento fora "arbitrário e ilegal", determinando que o governo concedesse os subsídios finais aos compradores elegíveis da Tesla.

O resultado deste julgamento poderá ter impacto interprovincial: em 2025, Colúmbia Britânica, Nova Escócia e Ilha do Príncipe Eduardo também excluíram a Tesla de seus programas provinciais de subsídios, alegando tensões comerciais semelhantes. Caso a Tesla obtenha vitória em Manitoba, esse precedente poderá servir como modelo jurídico direto para contestar as decisões dessas três províncias.

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