Xangai — À medida que a demanda doméstica enfraquece e a política chinesa de isenção do imposto sobre aquisição de veículos novos elétricos é ajustada, a Gigafábrica de Xangai da Tesla está acelerando sua transformação em centro global estratégico de exportação. Segundo dados da Associação Chinesa de Distribuição Automotiva, em junho de 2026, o volume de exportações da fábrica para o exterior saltou para 36 mil unidades, um crescimento trimestral superior a três vezes, correspondendo a 40% de sua produção total mensal de 89 mil unidades — impulsionando um aumento anual de 24% na produção geral.
Paralelamente, as entregas destinadas ao mercado interno chinês caíram 14% no mesmo período, reduzindo-se para cerca de 53 mil unidades. No primeiro semestre de 2026, a fábrica de Xangai da Tesla entregou quase 468 mil veículos, um aumento anual de 28%, representando 56% do total global de 838 mil unidades entregues pela Tesla. Em retrospectiva, ao longo de 2025, a fábrica contribuiu com 52% dos 1,64 milhão de veículos vendidos globalmente pela Tesla, reforçando seu papel estratégico como polo de manufatura de alto desempenho e baixo custo.
Segundo informações públicas divulgadas anteriormente pela vice-presidente da Tesla Tao Lin no Weibo, as exportações de veículos produzidos na China pela Tesla atingiram 229 mil unidades no primeiro semestre de 2026, posicionando-a como a sexta maior exportadora entre os fabricantes chineses de automóveis — logo atrás da Chery, BYD, Grupo SAIC Motor, GEELY Holding e Great Wall Motor Automóveis.
Desde sua inauguração no final de 2019, a Gigafábrica de Xangai alcançou uma taxa de localização de cadeia de suprimentos superior a 95%. Essa integração profunda permite-lhe aproveitar plenamente as vantagens competitivas da China em baterias para veículos elétricos, sistemas de acionamento elétrico e mão de obra qualificada. Zhang Junyi, diretor-geral da consultoria xangaiense Automotive Foresight, afirma: "A fábrica de Xangai é amplamente reconhecida como a instalação de produção mais eficiente e de menor custo da Tesla no mundo."
O alcance dos mercados de exportação continua se expandindo: inicialmente concentrado na Europa e nos países da Ásia Oriental (Japão e Coreia do Sul), agora já abrange o Sudeste Asiático, América Central e América do Sul. Nesse contexto, o Model Y fabricado em Xangai já se tornou o modelo elétrico importado mais vendido na Coreia do Sul, Japão, Austrália e Nova Zelândia; por sua vez, a versão de seis lugares do Model Y L, lançada na China em agosto de 2025, já começou a chegar aos mercados da Nova Zelândia, Malásia e Índia.
Vale destacar que o mercado chinês de veículos elétricos enfrenta atualmente uma dupla pressão: a partir de janeiro de 2026, os veículos plug-in híbridos (PHEV), de autonomia estendida (EREV) e totalmente elétricos (BEV) deixaram de ser isentos do imposto sobre aquisição de veículos, passando a ser tributados à alíquota de 5%, enquanto os veículos movidos a combustíveis fósseis mantêm a taxa de 10%; somado ao desaceleração do crescimento econômico, o PIB chinês cresceu apenas 4,3% no segundo trimestre de 2026 (contra 5% no primeiro trimestre). Nesse cenário, as vendas de veículos elétricos de passageiros no país (incluindo BEV, PHEV e EREV) totalizaram 4,7 milhões de unidades no primeiro semestre — queda de 14% ante o mesmo período do ano anterior; em junho, as vendas atingiram 1,1 milhão de unidades, uma redução de 9,4% em relação ao ano anterior.
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