Segundo dados mais recentes da Benchmark Mineral Intelligence, as vendas globais de veículos elétricos em maio de 2026 atingiram 1,8 milhão de unidades, com um total acumulado de 7,5 milhões nas primeiras cinco meses do ano — crescimento de 0,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Embora o ritmo de crescimento geral seja moderado, a divergência regional tornou-se cada vez mais acentuada: a Europa registra forte expansão, a América do Norte continua sob pressão e, embora o mercado interno chinês permaneça fraco, suas exportações alcançam sucessivos recordes.

A Europa torna-se o maior motor de crescimento
Em maio, as vendas de veículos elétricos na Europa atingiram 420 mil unidades, alta de 23% em relação ao ano anterior e leve alta de 2% ante abril; no acumulado dos primeiros cinco meses de 2026, foram 2 milhões de unidades, aumento de 26% no comparativo anual. Incentivos políticos e preços elevados dos combustíveis fósseis atuam como dois pilares de apoio — especialmente considerando que a instabilidade no Oriente Médio continua influenciando a trajetória dos preços da gasolina e do diesel, fator-chave para os próximos meses.
Vale destacar que, apesar das tarifas antidumping impostas pela União Europeia sobre veículos elétricos puramente chineses, marcas chinesas seguem avançando rapidamente. Até agora em 2026, 32% dos veículos elétricos vendidos no Reino Unido foram fabricados na China; nas Alemanha e França, essa proporção é de 14% e 10%, respectivamente. Uma tendência ainda mais profunda é a “produção localizada”: a Stellantis confirmou que começará a produzir o Leapmotor B10 em sua fábrica de Saragoça, na Espanha, na segunda metade de 2026, com planos de introduzir posteriormente mais três novos modelos da Leapmotor; a SAIC-MG anunciou a construção de uma nova fábrica na Espanha, com capacidade anual de 120 mil unidades (operacional plena em 2028); a fábrica da BYD na Hungria deverá entrar em operação até o final deste ano, enquanto seu projeto na Turquia foi temporariamente adiado.
América do Norte segue fraca; Canadá surge como novo ponto de inflexão
O mercado norte-americano mantém tendência descendente: em maio, as vendas somaram apenas 120 mil unidades, queda de 26% no comparativo anual; no acumulado dos primeiros cinco meses, foram 580 mil unidades, redução de 25%. Os principais fatores incluem cortes nos investimentos em eletrificação pelas montadoras, o fim do crédito fiscal federal para veículos elétricos nos EUA em setembro de 2025 e o enfraquecimento geral do suporte político.

Nesse cenário, o Canadá tornou-se um importante mercado de crescimento. O país já firmou um acordo de quota tarifária com a China, permitindo a importação anual de até 49 mil veículos elétricos chineses com tarifa reduzida. A BYD anunciou sua entrada formal no mercado canadense até o final de 2026, com planos de abrir mais de 20 lojas nas cidades de Toronto, Vancouver, Montreal e Calgary; os modelos iniciais incluirão o Atto 3, Seal, Dolphin e Seagull.
China: demanda interna fraca, exportações fortes e upgrade estrutural evidente
No mercado interno, as vendas chinesas de veículos elétricos em maio totalizaram 990 mil unidades, queda de 9% no comparativo anual; no acumulado dos primeiros cinco meses, foram 3,9 milhões de unidades, redução de 15% no ano. Contudo, a demanda por baterias mostra maior resiliência — impulsionada pela política de subsídio à compra de veículos novos energéticamente eficientes, lançada no início do ano, os consumidores passaram a preferir modelos com maior capacidade de bateria, elevando assim a média de capacidade instalada por veículo.
Em contraste marcante, as exportações explodiram: em maio, as exportações chinesas de veículos novos energéticamente eficientes se aproximaram de 450 mil unidades, batendo novo recorde mensal. Tanto os veículos totalmente elétricos quanto os híbridos plug-in cresceram simultaneamente, com a BYD na liderança, seguida de perto por Chery e Geely; a Gigafactory de Xangai da Tesla continua sendo um pilar fundamental dessas exportações.

Charles Lester, gerente de dados da Benchmark, observa: “A fraqueza do mercado interno chinês e a força das exportações estão gerando uma ‘tesoura’ cada vez mais ampla — essa discrepância tornou-se a característica estrutural mais marcante da indústria global de veículos elétricos em 2026.”
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