O grupo automotivo Dongfeng está acelerando seu plano de entrada no mercado canadense, tornando-se mais uma montadora chinesa a mirar o contingente tarifário reduzido para veículos elétricos entre o Canadá e a China — após a BYD e a Chery. Segundo Julie Mazorra Fernández, diretora da North World Industry, parceira distribuidora canadense da Dongfeng, a empresa pretende iniciar oficialmente as vendas de seus primeiros modelos no Canadá em 2027, estando atualmente na fase de certificação dos veículos.
Essa iniciativa baseia-se no acordo bilateral firmado em janeiro de 2026 entre o primeiro-ministro canadense Mark Carney e o presidente chinês Xi Jinping: o Canadá suspendeu, por um ano, a aplicação da tarifa punitiva de 100% sobre até 49 mil veículos elétricos produzidos na China (acrescida à tarifa básica de 6,1%); em contrapartida, a China reduziu as tarifas de importação de determinados produtos agrícolas canadenses. Esse contingente será ampliado gradualmente nos anos seguintes.
Anteriormente, a política de altas tarifas implementada pelo governo de Justin Trudeau em 2024 bloqueou efetivamente a entrada de veículos elétricos chineses no Canadá, levando até mesmo a Tesla a ajustar sua estratégia de exportação para o país a partir de sua fábrica em Xangai. Hoje, contudo, a Tesla já utiliza esse contingente para importar em larga escala veículos fabricados em Xangai, enquanto outras marcas chinesas ainda não concretizaram vendas reais no território canadense.
Mazorra Fernández afirmou que a Dongfeng dará início à sua campanha de reconhecimento de marca no Canadá com uma exposição no antigo porto de Montreal, onde serão exibidos os modelos Vigo e Nammi Box 01. Ela destacou: «Estamos avançando com toda a força no processo de certificação e temos boas perspectivas de lançar nossos dois primeiros modelos já no próximo ano (2027).»
Vale notar que a Dongfeng não se limita às exportações de veículos completos. Mazorra Fernández confirmou que a produção local também está prevista no planejamento de longo prazo: a Dongfeng já estabeleceu joint ventures de fabricação com empresas como a Stellantis e a Nissan na Europa e na América do Sul, podendo transformar o Canadá em um novo polo estratégico de sua rede global de capacidade produtiva. «Eles não buscam apenas importar veículos, mas sim construir parcerias comerciais mais abrangentes com empresas canadenses.»
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