BYD tentou duas vezes adquirir participação acionária da Renault, mas foi recusado; empresas chinesas aceleram produção localizada na Europa

Num contexto de novas regras da UE sobre 'fabricado na Europa' prestes a entrar em vigor, fabricantes chineses de automóveis buscam intensamente parcerias para capacidade produtiva na Europa

Segundo relato do jornal francês Les Echos (O Eco), publicado em 8 de julho, a BYD manifestou interesse em adquirir participação acionária no grupo Renault em duas ocasiões nos últimos dois anos — ambas recusadas. Nenhuma das partes se pronunciou oficialmente sobre o assunto; a informação provém de fontes internas do Les Echos.

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O primeiro contato ocorreu há cerca de dois anos, quando a Renault estava sob a liderança de Luca de Meo — que deixou o cargo em julho de 2025 para assumir a posição de CEO do Grupo Kering. Segundo o relatório, a BYD não buscava, naquele momento, cooperação tecnológica ou produtiva, mas sim tornar-se acionista da Renault. Na época, a Renault já havia firmado um acordo operacional com a GEELY, incluindo produção conjunta em Busan, na Coreia do Sul, e, portanto, não demonstrou interesse em introduzir um novo acionista em seu mercado estratégico europeu.

O segundo contato aconteceu no outono de 2025, após a reunião do vice-presidente executivo da BYD e responsável por suas operações na Europa Li Ke, com o então presidente francês Emmanuel Macron. Nessa ocasião, a BYD propôs novamente uma colaboração: a Renault teria acesso às tecnologias de veículos 100% elétricos e híbridos plug-in da BYD, além de sua capacidade produtiva de baterias; em troca, a BYD poderia utilizar a capacidade fabril da Renault na Europa, evitando assim as tarifas de importação da UE sobre veículos elétricos chineses — que podem atingir até 45%.

Atualmente, a parceria existente entre Renault e GEELY abrange instalações de produção conjunta em Busan (Coreia do Sul) e Curitiba (Brasil), além de participação acionária compartilhada na joint venture Horse Powertrain, responsável pelo desenvolvimento e fabricação de grupos motopropulsores a combustão para as marcas Renault, Dacia, Volvo e Nissan.

O principal impulso por trás dessas iniciativas é a iminente entrada em vigor da regra da UE sobre 'conteúdo localizado' — mecanismo previsto na Lei do Acelerador Industrial (Industrial Accelerator Act), concebida para proteger a base industrial e os empregos locais. Com as vendas de veículos elétricos chineses na Europa tendo crescido rapidamente nos últimos cinco anos — atualmente representando cerca de 10% do mercado — a UE está utilizando instrumentos regulatórios para incentivar fabricantes estrangeiros a aumentarem sua participação na cadeia de suprimentos local. A produção localizada não só afeta a elegibilidade a subsídios, como também é fundamental para contornar as elevadas tarifas de importação.

Além da BYD, diversas outras montadoras chinesas já avançaram concretamente na implantação de capacidade produtiva na Europa: a Leapmotor produzirá, pelo menos, três modelos nas fábricas da Stellantis em Madri e Saragoça; a Dongfeng, por meio de sua subsidiária VOYAH, fabricará veículos na fábrica francesa da Stellantis em Rennes; a GEELY teria demonstrado interesse em parte da capacidade produtiva da fábrica da Ford em Valência (Espanha); já a Chery e a Nissan estão avaliando a possibilidade de a fábrica britânica da Nissan, em Sunderland, produzir veículos da Chery — embora o Reino Unido, ao contrário da UE, não aplique atualmente tarifas adicionais sobre veículos elétricos.

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