A BYD registrou, pela primeira vez, uma receita internacional superior à receita obtida no mercado interno durante o primeiro semestre de 2026. Segundo o relatório financeiro intermediário divulgado pela empresa em 28 de agosto, sua receita internacional atingiu 181,3 bilhões de yuans (cerca de 2,7 bilhões de dólares norte-americanos), um aumento de 34% em relação ao ano anterior, representando 53% da receita total do grupo; já a receita proveniente da China caiu 31% no mesmo período.

Os dados indicam que, nos primeiros oito meses de 2026, as vendas globais acumuladas do grupo BYD totalizaram 2,622 milhões de unidades, das quais 1,162 milhão foram destinadas ao exterior — um crescimento de 70,6% em relação ao ano anterior. Apenas em agosto de 2026, as vendas internacionais atingiram 190 mil unidades, um salto de 134% na comparação anual. Esse crescimento abrange toda a matriz de marcas da BYD, incluindo DENZA, FANG CHENG BAO e Yang Wang.
Paralelamente, as vendas registradas da marca BYD no mercado chinês enfrentam forte pressão: no primeiro semestre de 2026, foram emplacados 795 mil veículos novos, uma queda acentuada de 45,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. De acordo com a instituição de monitoramento setorial China EV DataTracker, essa pressão decorre principalmente do segmento de veículos híbridos plug-in (PHEV): de janeiro a agosto de 2026, as vendas de PHEV da BYD somaram 1,265 milhão de unidades, recuando 11,2% em relação ao ano anterior — mantendo a tendência negativa já observada em 2025 (quando as vendas de PHEV caíram 7,9% em termos anuais).
No entanto, surgiram sinais positivos a partir do segundo semestre: de julho a agosto de 2026, as vendas globais da BYD atingiram 844 mil unidades, com alta de 18,5% em relação ao ano anterior; nesse período, as vendas de veículos 100% elétricos (BEV) cresceram fortemente, 29,6% ano a ano, enquanto os PHEV registraram leve aumento de 6%.
Vale destacar que a margem bruta consolidada da BYD apresentou melhora contracíclica: no primeiro semestre de 2026, atingiu 18,85%, um avanço de 0,84 ponto percentual em comparação com o mesmo período do ano anterior. A empresa afirmou expressamente que essa melhora "deve-se principalmente ao crescimento dos negócios automotivos no exterior", cuja margem bruta já alcançou 22%, com alta de 1,9 ponto percentual em relação ao ano anterior. A receita total do grupo foi de 34,48 bilhões de yuans, uma queda de 7,1% em relação ao ano anterior; já o lucro líquido atribuível aos acionistas foi de 12,3 bilhões de yuans, recuando 20,5%.
No âmbito setorial, o mercado de automóveis de passageiros da China continua sob pressão: segundo dados da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM), as vendas no varejo doméstico caíram 21,1% em julho de 2026 em comparação com o ano anterior, marcando o décimo mês consecutivo de redução; ao mesmo tempo, as exportações de automóveis de passageiros chineses cresceram 88,2%. Nesse contexto, a BYD está acelerando sua estratégia global de capacidade produtiva, construindo fábricas locais no Brasil, na Hungria e na Turquia — sendo o Brasil seu maior mercado externo até o momento.
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