Tóquio — A empresa automotiva TOYOTA está acelerando a iteração de sua tecnologia de baterias e planeja implantar em larga escala, a partir de 2027, uma nova geração de baterias de íon-lítio, com o objetivo de reduzir significativamente o custo unitário dos veículos híbridos e melhorar seu desempenho energético. Essa iniciativa visa consolidar sua liderança global no mercado de veículos híbridos e mitigar as pressões sobre a lucratividade durante a transição para a mobilidade elétrica plena.

Segundo Takanori Anzai, diretor financeiro da TOYOTA, entre os exercícios fiscais de 2027 e 2028, cerca de 600 mil veículos híbridos comercializados apenas no Japão serão equipados com essa nova geração de baterias de íon-lítio. Cada unidade terá seu custo reduzido em "diversas dezenas de milhares de JPY" (cerca de centenas de dólares), além de maior eficiência — embora os parâmetros técnicos específicos não tenham sido divulgados. Essa mudança representa uma saída sistemática da TOYOTA das baterias de níquel-hidreto e uma transição integral para plataformas híbridas baseadas em baterias de lítio.
Dados indicam que, em 2026, as entregas globais de veículos híbridos da TOYOTA devem superar, pela primeira vez, os 5 milhões de unidades. Entre abril e junho deste ano, suas vendas globais no varejo atingiram 2,55 milhões de unidades, com queda de 3,5% em relação ao mesmo período do ano anterior; já as entregas de modelos eletrificados totalizaram 1,41 milhão de unidades, crescendo 12% e representando 55% do volume total. Destas, 1,24 milhão foram híbridos (+6,7%) e 114 mil, veículos totalmente elétricos (mais que o dobro do registrado no mesmo trimestre do ano passado).
No plano tecnológico, a TOYOTA adota uma estratégia de dupla via: amplia simultaneamente a aplicação de baterias desenvolvidas internamente e aprofunda parcerias externas. Takanori Anzai confirmou que a CATL fornecerá baterias na fábrica da Indonésia para aproximadamente 200 mil veículos, sem, contudo, especificar o tipo ou as características técnicas das baterias desenvolvidas internamente.
Retomando seu roteiro estratégico de longo prazo divulgado em 2023, a TOYOTA estabeleceu claramente: em 2026, será lançada a primeira geração de baterias de íon-lítio, com autonomia superior a 800 km no ciclo WLTP e custo 20% inferior ao das baterias utilizadas nos modelos elétricos da série bZ; entre 2027 e 2028, será introduzida uma nova bateria de íon-lítio bipolar, com autonomia WLTP acima de 1.000 km e custo reduzido em mais 10% em comparação com a geração anterior.
Vale destacar que todos os dados de autonomia citados são baseados no padrão de teste WLTP, que geralmente resulta em valores superiores aos obtidos pelo padrão norte-americano EPA. Paralelamente, na mais recente divulgação de resultados, a TOYOTA revisou para cima sua previsão de lucro operacional para o exercício fiscal de 2026 (encerrado em 31 de março de 2027), projetando 3,40 trilhões de JPY (cerca de 21,01 bilhões de dólares norte-americanos), impulsionada principalmente pela forte desvalorização da JPY — que gerou ganhos cambiais estimados em 44,2 bilhões de dólares — e pelas soluções alternativas logísticas no Oriente Médio (como rotas marítimas contornando o Cabo da Boa Esperança ou transporte terrestre), que aliviaram os impactos da interrupção no tráfego pelo Estreito de Ormuz.
Comentários
0 comentáriosAinda não há comentários. Seja o primeiro!
Publicar Comentário