Musk insinua possível fusão entre Tesla e Space X na conferência de resultados

Na conferência telefônica de resultados do segundo trimestre de 2026 da Tesla, Elon Musk fez, pela primeira vez, uma resposta substancial às especulações de longa data sobre uma possível fusão entre a Tesla e a Space X. Embora não tenha confirmado formalmente qualquer plano de fusão, Musk destacou claramente que as duas empresas apresentam 'cada vez mais sobreposição' e enfatizou que a colaboração entre elas já atingiu uma fase concreta.

A pergunta foi formulada pelo analista Colin Rush, do Wells Fargo, que indagou se Musk considerava potencial de integração e sinergia entre as duas empresas no futuro. Em vez de negar a possibilidade, Musk citou diversos projetos de cooperação já em andamento: o avanço conjunto do projeto da 'fábrica-super' de semicondutores Terafab; a integração do modelo de linguagem grande Grok nos veículos da Tesla; o acesso à internet por satélite Starlink para o Cybercab e para toda a futura linha de modelos da Tesla; e a colaboração profunda no desenvolvimento do robô digital Optimus.

Vale notar que Musk acrescentou: 'Obviamente, não podemos discutir questões como fusão corporativa numa conferência de resultados — tais assuntos devem ser tratados por meio dos procedimentos adequados.' Em seguida, transferiu a questão ao diretor jurídico-chefe da Tesla, Brandon Ehrhart.

Ehrhart confirmou que a Tesla e a Space X assinaram, no início de 2026, um 'acordo-quadro' e concluíram um investimento de 2 bilhões de dólares na xAI — valor convertido em 18,99 milhões de ações ordinárias classe A da Space X (representando menos de 1% do capital social). Além disso, as duas empresas realizaram, em 2025, transações comerciais e de serviços no valor total de aproximadamente 650 milhões de dólares. Ele ressaltou que o acordo tem como objetivo apoiar projetos conjuntos críticos, como o Terafab e o Optimus Digital.

O vínculo financeiro também revela forte interdependência: neste trimestre, o lucro líquido GAAP da Tesla de 1,1 bilhão de dólares inclui cerca de 750 milhões de dólares provenientes da avaliação contábil justa (mark-to-market) das participações na Space X — ou seja, quase todo o lucro contábil decorre da variação de valor de uma empresa privada sob controle efetivo de Musk, e não das operações de automóveis ou energia; seu lucro operacional real foi de apenas 398 milhões de dólares, com margem operacional de apenas 1,4%. Segundo informações divulgadas, a avaliação da SpaceX caiu cerca de 30% desde a data-base da última avaliação, o que significa que esse investimento pode gerar prejuízo contábil no próximo trimestre.

Alguns analistas de Wall Street estimam que, caso a fusão prossiga, ela poderia ser concluída já no início de 2027, com probabilidade avaliada entre 80% e 90%.

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