A Jaguar Land Rover encerrou oficialmente sua prática de produção local na China, que durou 14 anos. A partir de julho de 2026, sua rede nacional de concessionários deixou de adquirir todos os modelos fabricados no país, marcando o fim definitivo dessa estratégia de localização, outrora carregada de grandes expectativas.

Segundo múltiplas fontes confiáveis, um concessionário no leste da Beijing vendeu, no início de julho, o último modelo nacional esticado da Range Rover Evoque. Este veículo, ao ser lançado inicialmente, apresentava um preço de mercado significativamente acima do sugerido, mas, na fase final de liquidação de estoque, seu preço real de venda já havia caído abaixo dos 180.000 yuans. Essa disparidade de preços reflete claramente a queda acentuada da posição de mercado da marca na China: suas vendas atingiram o pico de 146.400 unidades em 2017, mas, devido à lentidão na renovação de produtos, à transição tardia para a eletrificação e à dependência excessiva de descontos agressivos no ponto de venda, as vendas em 2025 encolheram para cerca de 26.000 unidades.
O portfólio nacional, sustentado há muito tempo por plataformas antigas movidas a combustível — como o Range Rover Evoque L e versões da Discovery Sport — perdeu continuamente terreno na faixa de preço entre 300.000 e 500.000 yuans, incapaz de competir com novas forças locais como AITO, NIO, Li e Zeekr. Estas, por sua vez, conquistaram rapidamente participação de mercado graças a cabines inteligentes, interiores luxuosos e sistemas de propulsão elétricos, enquanto os modelos nacionais da Jaguar Land Rover permaneceram presos à arquitetura tradicional movida a combustível.
Uma pressão operacional ainda mais profunda decorre de políticas de canal inadequadas: os concessionários eram obrigados a adquirir uma proporção elevada de veículos fabricados localmente para obter quotas de modelos importados mais lucrativos, como a Range Rover. Com a demanda por veículos nacionais despencando abruptamente, os estoques acumulados se agravaram, e o prejuízo médio por unidade chegou, segundo relatos, a 30.000 yuans — aumentando diariamente a pressão sobre todo o sistema de distribuição.
Com a mudança estratégica, a Jaguar Land Rover concentrar-se-á na linha premium importada, com foco nos três principais modelos: Range Rover, Defender e Discovery. Especialistas do setor preveem que o número atual de menos de 90 concessionários ativos poderá ser reduzido para entre 40 e 50, alinhando-se logicamente à operação voltada a um nicho seleto de clientes de alto poder aquisitivo.
Paralelamente, a antiga fábrica de Changshu, na província de Jiangsu, já iniciou sua transformação. De acordo com o acordo de cooperação firmado em 2024 entre Chery e Jaguar Land Rover, a marca «Freelander» será relançada como um projeto independente de mobilidade elétrica, integrando profundamente a cadeia de suprimentos e as capacidades tecnológicas chinesas — incluindo o sistema avançado de condução autônoma Huawei — e aproveitando o legado histórico da Freelander para desenvolver uma nova gama de produtos. O primeiro modelo, Freelander 8, deverá ser lançado pela primeira vez na China na segunda metade de 2026.
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