A Volvo está acelerando a produção local do modelo XC60 na sua fábrica de Ridgeville, na Carolina do Sul, Estados Unidos, para enfrentar simultaneamente a fraca demanda por seus veículos elétricos no mercado norte-americano e a baixa taxa de utilização de capacidade dessa unidade fabril. A produção em série do XC60 está programada para começar em janeiro de 2027.
Segundo informações divulgadas por Louis·Rezende, diretor regional da Volvo para as Américas, à revista Automotive News, a entrada em operação do XC60 acrescentará inicialmente ao menos 20 mil unidades anuais à capacidade produtiva desta fábrica, localizada nas proximidades de Charleston, elevando sua produção anual atual — cerca de 30 mil unidades — em mais de dois terços. "Isso exigirá, no mínimo, a criação de um novo turno completo de trabalho, constituindo uma base sólida para futuras expansões de escala — a fábrica de Charleston ficará muito, muito movimentada."
Esta unidade, inaugurada em 2018 com investimento total de 1,3 bilhão de dólares, foi projetada para produzir até 150 mil veículos por ano. Contudo, desde a descontinuação do sedã S60 em 2024, a fábrica tem produzido apenas volumes limitados dos modelos EX90 e Polestar 3 — ambos SUVs elétricos —, com taxa de utilização estimada pela GlobalData em cerca de 15% nos últimos meses.
A fabricação local do XC60 não só contribuirá para melhorar o retorno sobre o investimento feito na fábrica norte-americana, como também permitirá respostas mais ágeis às necessidades do mercado. "A principal razão para produzirmos localmente o XC60 é garantir que fabricamos exatamente os produtos que os consumidores realmente desejam — temos certeza de que este modelo será um grande sucesso de vendas", afirmou Rezende.
O XC60 continua sendo o principal pilar de vendas da Volvo nos EUA, representando 37% do volume total da marca no primeiro semestre de 2026. A versão de 2027 passará por uma atualização de meia vida: ajustes sutis na aparência, atualizações no sistema de propulsão e, para a versão T8 plug-in híbrida, uma bateria significativamente maior, elevando sua autonomia totalmente elétrica de 35 milhas (cerca de 56 km) na versão atual para mais do que o dobro.
A competitividade de preço também é um fator-chave. "'Acessibilidade' é a palavra-chave", destacou Rezende. "Observamos que nossos concorrentes estão cada vez mais concentrados no segmento de SUVs, especialmente na faixa de mercado em que atuamos." Embora a montagem local possa reduzir parcialmente os custos com tarifas de importação, a pressão tarifária não será totalmente eliminada, já que componentes essenciais continuarão sendo importados da Europa.
Rezende não revelou a meta anual específica de produção do XC60 na fábrica de Charleston, explicando que a rampa de produção ocorrerá em etapas, influenciada pelo ritmo de fornecimento de peças europeias e pelos processos locais de controle de qualidade. "Os moldes já chegaram e a linha de montagem está em fase de testes", acrescentou. A introdução do XC60 também é vista como um passo estratégico para preparar o lançamento de um futuro SUV topo de gama híbrido estendido — com três fileiras de assentos e posicionado acima do XC90 —, cuja produção em série está prevista para o final de 2028 e que competirá diretamente com o Mercedes-Benz GLS e o BMW X7.
Vale notar que as vendas da Volvo nos EUA enfrentaram pressão em 2026: a redução gradual do crédito fiscal federal para veículos plug-in, somada à contínua pressão tarifária, resultou numa queda de 12% nas vendas no primeiro semestre — acima da média de 7,4% registrada no segmento de luxo como um todo. A marca já ajustou dinamicamente sua estrutura de fornecimento aos concessionários, reduzindo a proporção de versões plug-in híbridas dos modelos XC60 e XC90 de 40% no ano anterior para aproximadamente 30%, alinhando-se melhor ao ritmo real da demanda. "Estamos nos esforçando para nos tornarmos uma marca premium lucrativa e plenamente elétrica", enfatizou Rezende.
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