A montadora Volkswagen está acelerando o realinhamento de sua capacidade produtiva global. Segundo diversas fontes, os veículos produzidos pelas empresas conjuntas da Volkswagen na China — a FAW-Volkswagen e a SAIC VW — entrarão oficialmente nos mercados do Cazaquistão e do Usbequistão em 2026, rompendo uma longa tradição de 'produzido na China, destinado exclusivamente ao mercado doméstico'.

Essa mudança estratégica não é um movimento isolado. Em junho de 2026, durante um fórum internacional realizado em Tashkent, o presidente alemão Frank-Walter Steinmeier e o presidente usbeque Shavkat Mirziyoyev anunciaram conjuntamente o lançamento de um projeto de montagem local da Volkswagen no Usbequistão. Prevê-se que, até o final de 2026, oito modelos — incluindo o Tiguan L Pro, o Passat Pro, o Teramont Pro e a série Jetta — serão montados localmente com componentes fornecidos pela FAW-Volkswagen e pela SAIC VW, com distribuição voltada para a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), a Ásia Central e o Cáucaso.
Paralelamente, a FAW-Volkswagen já concluiu a certificação de três modelos no Cazaquistão: o Magotan comercializado sob a marca 'Passat', o TayronL e o Jetta VS7. Atualmente, a Volkswagen possui apenas um modelo à venda no Cazaquistão — o Touareg importado da Eslováquia — e os novos veículos devem chegar ao mercado em breve.

Essa iniciativa também está intimamente ligada às mudanças estruturais no mercado chinês. Dados indicam que, em 2026, a penetração de veículos elétricos e híbridos plug-in na China atingiu 54%, um aumento de 3,9 pontos percentuais em relação ao ano anterior, com vendas totais de 4,7 milhões de unidades. Por outro lado, as entregas da marca Volkswagen na China caíram 28,9% para 665.600 unidades, bem abaixo do pico histórico superior a 1 milhão de unidades. Atrasos na transição para veículos elétricos resultaram em ociosidade parcial da capacidade produtiva da FAW-Volkswagen e da SAIC VW, e a Ásia Central tornou-se a primeira região a absorver essa capacidade excedente. Futuramente, a Ásia Meridional e o Oriente Médio também são considerados mercados potenciais para expansão.
Vale destacar que a Volkswagen enfrenta atualmente rumores sobre reestruturação de fábricas na Europa, redução de linhas de modelos e demissões em larga escala, além das pressões tarifárias entre EUA e China e da intensificação da concorrência global de fabricantes chineses. Nesse contexto, a exportação para o exterior com base na cadeia de suprimentos de baixo custo da China tornou-se uma estratégia essencial. Há informações de que a Volkswagen poderá exportar, no futuro, modelos híbridos estendidos desenvolvidos especificamente para o mercado chinês, visando enfrentar os desafios globais de marcas locais como BYD e GEELY.
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