Chery lança sete marcas na Europa: vendas superam BYD, mas risco de tarifas sobre PHEVs surge

Nos primeiros cinco meses de 2026, a Chery vendeu 134.501 veículos na Europa, superando amplamente o desempenho de BYD no mesmo período e ficando apenas 6.869 unidades atrás da marca MG do grupo SAIC Motor — tornando-se assim a segunda montadora chinesa com maior volume de vendas no continente. Esse resultado representa um crescimento exponencial em comparação com suas vendas totais na Europa em 2024, que foram de apenas 17.000 unidades.

Vista lateral do novo Fulwin X3 Plus 2025, em vermelho e preto

Para consolidar esse impulso, a Chery está acelerando sua estratégia de «matriz de múltiplas marcas»: até o final de 2028, pretende operar sete marcas próprias na Europa (atualmente apenas uma), com 21 modelos SUV totalmente novos. Esse escopo já se aproxima da dimensão dos nove brands europeus do grupo Volkswagen, despertando grande atenção do setor.

Entre as novas marcas, a Lepas iniciou suas vendas em junho de 2026 com o SUV médio híbrido plug-in L8; em setembro, lançará o SUV compacto 100% elétrico L6. Em 2027, a Lepas introduzirá ainda o L4 (oferecendo versões 100% elétrica, híbrida plug-in e híbrida completa), o SUV médio L9 e o SUV pequeno L2. Outra nova marca especializada em veículos off-road robustos, a iCaur, estreará no final de 2026 com seu modelo flagship V27 — um SUV grande de sete lugares, com preço inicial de cerca de 60.000 euro, posicionado diretamente contra o SUV flagship chinês JEEP, desenvolvido em parceria entre Dongfeng e a Stellantis.

Paralelamente, a marca principal Chery também expande sua oferta: além do Tiggo 9 já comercializado, os modelos Tiggo 8, o Tiggo 3 100% elétrico e o Tiggo 7 nas versões híbrida plug-in e híbrida completa chegarão ao mercado europeu até o final de 2027; o Tiggo 4 e o Tiggo 2 devem seguir em 2028, ambos com opções 100% elétricas e híbridas. Vale destacar que a Chery afirmou expressamente que não há planos para lançar, na Europa, modelos fora da categoria SUV — pelo menos até 2029.

A consultoria AlixPartners observa que a Chery, apoiada em sua plataforma de veículos definidos por software, consegue rapidamente diferenciar cada marca por meio de calibrações específicas nas curvas de potência, funcionalidades do cockpit inteligente e sistemas de iluminação — tudo isso mantendo controle rigoroso de custos. Contudo, o analista da Jefferies Philippe Houchois alerta que a União Europeia planeja impor novas tarifas sobre veículos híbridos plug-in fabricados na China — categoria que representa quase metade das vendas totais da Chery na Europa (62.417 unidades até maio). Somado à ausência atual de fábricas locais, esse cenário pode limitar a profundidade estratégica da expansão multi-marca. Para aliviar gargalos de capacidade produtiva, a Chery está em negociações com a Nissan para avaliar a possibilidade de produção sob contrato de alguns modelos na fábrica britânica de Sunderland.

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