A controvérsia em torno do teste térmico da segunda geração da bateria Blade da BYD continua a ganhar força. O blogueiro automotivo Cai Shendao publicou no Weibo em 30 de julho que a BYD teria apresentado uma queixa contra ele na Delegacia de Segurança Pública do Distrito de Songjiang, em Xangai, referente ao experimento anterior de teste térmico durante carregamento rápido. Esse episódio marca a escalada de uma disputa técnica iniciada em maio para um evento público envolvendo questões jurídicas e regulatórias.

Segundo Cai Shendao, ele já entregou às autoridades investigadoras centenas de páginas de registros de testes e documentos comprobatórios. Até o momento, nem a BYD nem a polícia de Songjiang, em Xangai, emitiram qualquer declaração pública sobre se a queixa foi recebida, se houve abertura de inquérito ou se foi iniciada alguma investigação formal.
Antes desse incidente, a Administração Municipal de Ciberespaço de Shenzhen já havia aplicado medidas administrativas à conta 'Cai Shendao' no início deste mês, com base nas disposições da campanha de governança 'Qinglang' ('Céu Limpidíssimo'), por divulgar e propagar informações enganosas sobre testes de produtos e prejudicar a reputação comercial das empresas, restringindo suas funções de publicação, comentários e monetização da conta. Plataformas como o Sina confirmaram essa medida com base em comunicados oficiais.
A origem da controvérsia remonta a uma transmissão ao vivo realizada em maio: Cai Shendao submeteu um FANG CHENG BAOLeopard 5 equipado com a segunda geração da bateria Blade (nota: o texto original menciona 'Tai 3', provavelmente um erro tipográfico; considerando o contexto e as convenções de nomenclatura dos modelos, trata-se efetivamente do FANG CHENG BAOLeopard 5) a um teste de carregamento rápido, elevando a carga de 8% para 97%. Cinco sondas térmicas externas registraram temperatura máxima na superfície das células de 76,42 °C, enquanto o sistema de gerenciamento da bateria (BMS) do veículo indicou aproximadamente 71,0 °C — uma diferença térmica de cerca de 5,4 °C. É importante ressaltar que todas as sondas externas mediram apenas temperaturas locais na superfície das células, não a temperatura central interna, tampouco correspondem aos dados de monitoramento em nível de sistema coletados pelo BMS.
Posteriormente, a equipe de Cai Shendao realizou uma desmontagem destrutiva de um pacote da segunda geração da bateria Blade — após refrigeração por cerca de 40 horas, o processo de corte, lixamento e separação mecânica levou aproximadamente 8 horas. A análise da desmontagem revelou que o pacote continha 170 células conectadas em série, empregava uma estrutura reforçada em malha e projeto de refrigeração direta, pesando cerca de 572 kg no total, com eficiência estimada de integração do pacote em 73,6%. Contudo, devido à danificação da cola estrutural, das interfaces de refrigeração e das camadas isolantes durante a desmontagem, essa bateria já não representa mais o estado operacional original sob condições de vedação de fábrica.
Após a restrição da conta, Cai Shendao encomendou à Academia Nacional de Pesquisa em Baterias (Instituto Nacional de Inovação em Baterias Automotivas) a reprodução do teste de carregamento rápido em ambiente laboratorial. O veículo testado foi a versão integral 4×4 do FANG CHENG BAOLeopard 5, equipado com uma bateria de lítio-ferrofosfato (LFP) de 78,72 kWh. O experimento elevou a carga de 7% para 97% em 8 minutos e 32 segundos, com corrente de pico de carregamento de aproximadamente 1200 A; as sondas externas registraram temperatura máxima de 78,5 °C na superfície das células, enquanto o BMS registrou simultaneamente cerca de 70,5 °C — uma diferença térmica de aproximadamente 8 °C. Vale observar que esse teste laboratorial também se baseou em pontos de medição expostos na superfície das células, e não na estrutura completa do pacote de bateria lacrado de fábrica; portanto, os resultados refletem a temperatura superficial local sob condições específicas de modificação, e não a resposta térmica sistêmica em estado original de produção.
Em 31 de julho, Cai Shendao publicou novamente capturas de tela alegando que uma instituição supostamente ligada à BYD teria entrado em contato com ele em 5 de maio (um dia antes da transmissão ao vivo) para negociar uma parceria comercial. A autenticidade dessas capturas, a identidade da parte envolvida e sua relação com a BYD ainda não foram verificadas de forma independente pela BYD, pelas autoridades policiais ou pelos órgãos judiciais. No mesmo dia, Cai Shendao citou trechos do projeto de Lei Chinesa contra a Violência Virtual (projeto de lei), alegando que a BYD estaria utilizando canais regulatórios e jurídicos para suprimir testes independentes; contudo, até o momento nenhuma autoridade competente afirmou que esse projeto de lei seja aplicável ao caso.
No momento da publicação desta matéria, ainda não há sentença judicial, conclusão policial ou resultado oficial de investigação divulgado, e todos os elementos-chave permanecem sem confirmação.
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