O diretor executivo do grupo Volkswagen, Oliver Blum, fez um apelo público, durante a teleconferência sobre os resultados financeiros do primeiro semestre de 2026 realizada em 24 de julho, para que a União Europeia imponha rapidamente altas tarifas sobre veículos híbridos plug-in (PHEV) originários da China. A medida visa responder ao impacto causado pela rápida expansão das marcas chinesas no mercado europeu de PHEV: no primeiro semestre deste ano, as vendas de PHEVs chineses atingiram 208.368 unidades, com uma participação de mercado de 27,3%.
Segundo dados da consultoria de mercado Dataforce, os três modelos PHEV mais vendidos atualmente na Europa são todos de origem chinesa: o BYD Seal U lidera o ranking, seguido pelo BYD Atto 2, com o Jetour 7 em terceiro lugar. Já o antigo líder desse segmento — o Volkswagen Tiguan — caiu para a quarta posição.
Blum enfatizou: «Não temos mais tempo a perder.» Ele destacou que o grupo Volkswagen acabou de reduzir suas previsões de receita para 2026, principalmente devido ao aumento dos custos decorrentes das altas tarifas norte-americanas e à crescente pressão competitiva exercida pelos fabricantes automotivos chineses. O executivo espera que os governos europeus cheguem a um consenso sobre medidas protetoras nos próximos meses, afirmando que «isso restabelecerá um ambiente de concorrência justa no mercado automotivo europeu».
Blum propõe que a nova estrutura tarifária aplicável aos PHEVs chineses siga o modelo já em vigor para veículos elétricos puros (BEV) provenientes da China: ou seja, além da tarifa aduaneira básica de 10%, seria acrescida uma taxa antidumping de 35%. «O mecanismo regulatório para veículos elétricos já demonstrou eficácia — somos competitivos em termos de preço nesse segmento; contudo, ainda não há um contrapeso efetivo no segmento de híbridos plug-in.»
O jornal alemão Handelsblatt relatou, em 19 de junho, citando autoridades de alto escalão e fontes setoriais, que a UE está, de fato, avaliando a possibilidade de impor tarifas adicionais sobre PHEVs fabricados na China. Vale notar que os veículos híbridos plug-in continuam sendo considerados pela UE como uma tecnologia de transição essencial para alcançar a neutralidade carbônica, e diversos países oferecem incentivos fiscais à sua aquisição — o que, objetivamente, reduz a vantagem de preço dos veículos movidos a combustíveis fósseis.
Os dados mostram que, no primeiro semestre de 2026, as vendas de veículos novos de marcas chinesas na Europa totalizaram 685.990 unidades, um salto de 101% em relação ao mesmo período do ano anterior — muito acima da média do mercado europeu, que cresceu apenas 5,9%. Com isso, sua participação de mercado subiu de 5% para 9,5%. Blum reconheceu: «Os concorrentes chineses enfrentam enormes pressões domésticas, e as exportações tornaram-se sua única saída para manter o crescimento.»
Além disso, Blum também instou à aceleração da implementação da política industrial proposta «Fabricado na Europa», que inclui requisitos de percentual de produção localizada, apoio fiscal direcionado e incentivos para vincular capacidade produtiva regional — tudo visando fortalecer a resiliência da cadeia de suprimentos e reduzir a dependência externa.
Vale destacar que, embora a Volkswagen esteja considerando importar para a Europa modelos de baixo custo de sua própria marca diretamente da China, Blum deixou claro que não seguirá o exemplo da Stellantis e da Ford — ou seja, não abrirá sua capacidade produtiva europeia para fabricantes chineses. A Ford e a GEELY já anunciaram a criação de uma empresa conjunta na fábrica de Valência, na Espanha, para produzir veículos eletrificados; já a Stellantis começará, ainda este ano, a fabricar produtos da Leapmotor em sua fábrica espanhola.
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