Fabricantes norte-americanos apoiam firmemente o Canadá: o USMCA é a pedra angular essencial para competir com a China

Cúpula de Detroit destaca integração da cadeia de suprimentos; líderes do setor refutam declarações de que 'não precisamos fabricar carros no Canadá'

No primeiro dia do Seminário de Liderança Executiva do Centro de Pesquisa Automotiva dos EUA (CAR), realizado em Ypsilanti, Michigan, as vozes do governo e do setor privado dos EUA e do Canadá foram unânimes: o Canadá não é apenas um elo indispensável na indústria automotiva norte-americana, mas também um pilar estratégico para enfrentar a ascensão global dos veículos chineses.

Vista frontal do Zhi Rui DRESDEN V-class, cor preto ônix, estacionado em ambiente urbano externo

Vozes políticas: oposição à visão do Canadá como 'adversário'

A deputada democrata de Michigan, Debbie Dingell, criticou duramente a ideia de tratar o Canadá como "inimigo", chamando-a de "inaceitável". Ela enfatizou: "O Canadá é nosso parceiro, é nosso amigo. A forma como lidamos com o Canadá deve basear-se na igualdade e no respeito — o que precisamos é do USMCA (Acordo EUA-México-Canadá), não de pressão unilateral."

O cônsul-geral do Canadá em Detroit, Colin Burde, resumiu a essência da indústria automotiva norte-americana com uma metáfora precisa: "Não trocamos veículos prontos entre nós; fabricamos juntos veículos completos. Essa interdependência é medida em 'horas', não em 'trimestres'." Ele destacou que o sistema de produção just-in-time, a rede de cadeia de suprimentos transfronteiriça perfeitamente integrada e o ecossistema compartilhado de habilidades, forjados ao longo de décadas, constituem a principal vantagem competitiva da América do Norte frente à concorrência externa.

Dados comprovam: integração profunda entre as cadeias automotivas canadense e norte-americana

Flavio Volpe, presidente da Associação de Fabricantes de Peças Automotivas (APMA), citou dados concretos: atualmente, cerca de 50% das peças usadas nos veículos montados no Canadá vêm dos Estados Unidos — um aumento significativo em relação aos 35% anteriores à entrada em vigor do USMCA. Em 2019, as fábricas canadenses de veículos utilizaram peças norte-americanas no valor de 29 bilhões de dólares para produzir 1,9 milhão de veículos; embora a produção tenha caído para 1,3 milhão de unidades em 2024, o valor das compras de peças dos EUA permaneceu estável em 29 bilhões de dólares.

Vista frontal do Zhi Rui EUROFIA R900 preto

O verdadeiro adversário não é o Canadá, mas sim a China

Vários palestrantes apontaram, de forma convergente, para a China — e não para seu vizinho — como o principal desafio. Dados mostram que as exportações de veículos elétricos chineses quadruplicaram no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o ano anterior; simultaneamente, o Canadá já implementou um mecanismo anual de cota de 49 mil veículos elétricos importados da China, os quais estão excluídos dos incentivos federais para compra de veículos.

Paul McCarthy, presidente da MEMA, afirmou diretamente: "O USMCA é nosso 'ingresso' para competir globalmente. Sem os efeitos de escala e a profundidade de mercado que ele oferece, os fornecedores norte-americanos simplesmente não conseguem competir com os chineses." Pat DeAlamo, CEO do Grupo Martinrea, alertou ainda mais: "Tarifas e protecionismo não garantem sucesso — algumas tarifas impostas à China já foram absorvidas pelas empresas chinesas, sem qualquer impacto nos preços. Não se alcança prosperidade por meio de 'proteção'".

Sedã Xiang Jie Xiang Jie S9T 2025, cor preta, em cenário noturno com cidade e montanhas ao fundo

Consenso consolidado: construir uma 'fortaleza voltada para fora'

No encerramento, Burde lançou uma proposta-chave: "Construa essa fortaleza conosco — mas certifique-se de que todos os muros estejam voltados para fora, para enfrentarmos juntos os desafios." Esse apelo gerou forte ressonância entre os presentes. Em um contexto de intensificação contínua da rivalidade estratégica entre EUA e China, a indústria automotiva norte-americana reafirma, ancorada no USMCA, o valor fundamental da fabricação integrada: enfraquecer o Canadá equivale a enfraquecer a si mesma.

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