Reino Unido planeja reduzir metas para veículos elétricos, gerando controvérsia: por que recuar diante da crise climática e dos preços elevados dos combustíveis?

As vendas de VE em 2026 já superaram as expectativas, mas o governo estuda reduzir a meta de 80% para 2030 para 50%–70%

Diante de temperaturas recordes, incêndios florestais frequentes, aumento global dos preços dos combustíveis e vendas domésticas de veículos elétricos (VE) muito acima do previsto, o novo governo trabalhista liderado pelo primeiro-ministro Andy Burnham está considerando flexibilizar as metas atuais de promoção de veículos elétricos — uma mudança que despertou ampla crítica pública.

Metas em constante revisão: objetivo de 80% de VE até 2030 pode ser enfraquecido

O Reino Unido já ajustou várias vezes suas metas para veículos elétricos: inicialmente definida para 100% de novos veículos elétricos até 2040, foi antecipada para 2030 e depois reajustada, consolidando-se como 80% de participação de veículos novos com propulsão elétrica (incluindo híbridos plug-in) até 2030, com proibição total de vendas de veículos movidos a combustíveis fósseis a partir de 2035. A meta para 2026 era de 33%, mas, ao final de 2025, os veículos totalmente elétricos e híbridos plug-in já representavam quase 40% das vendas de novos veículos — bem acima do esperado para esse período.

Dados setoriais indicam que, em julho de 2026, as vendas de veículos totalmente elétricos no Reino Unido cresceram 44,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior, atingindo um recorde mensal; a participação de veículos plug-in no mercado continua subindo ao longo do ano. Mais notável ainda é o impacto da política de tarifa zero para VE chineses: alguns modelos BEV já têm preço de lançamento no Reino Unido inferior ao de veículos equivalentes movidos a combustíveis fósseis.

Em meio à dupla crise climática e energética, a lógica do recuo não se sustenta

Paralelamente, o Reino Unido enfrenta seu verão mais quente desde o início dos registros meteorológicos, com uma quinta onda de calor em formação e três quartos da Inglaterra em estado de seca; incêndios florestais históricos eclodiram em diversas regiões — fenômenos diretamente ligados à dependência prolongada do setor de transporte em combustíveis fósseis. Um relatório governamental recente afirma claramente que o transporte é a maior fonte única de emissões de gases de efeito estufa no Reino Unido, alertando que as mudanças climáticas ameaçam gravemente a segurança alimentar nacional — "sem ação, não há futuro".

O conflito geopolítico continua pressionando os preços internacionais do petróleo: o preço médio da gasolina no Reino Unido já atingiu 1,62 libra esterlina por litro (cerca de 8,21 dólares por galão), enquanto o diesel chegou a 1,92 libras por litro. Os custos elevados dos combustíveis, somados à busca por soberania energética, reforçam cada vez mais o valor estratégico dos veículos elétricos como "veículos movidos por eletricidade nacional": a capacidade instalada de geração eólica e solar atinge sucessivos recordes, e algumas famílias já conseguem abastecer seus veículos gratuitamente.

O que está por trás dessa mudança de rumo? Pressões de lobby e instabilidade política

Apesar das condições objetivas favoráveis à aceleração da eletrificação, segundo o jornal The Times, o novo governo poderá iniciar, "possivelmente já na próxima semana", uma revisão formal das metas vigentes. Fontes apontam para pressões contínuas de grupos de lobby do setor automotivo e para a cobertura persistente de certos meios de comunicação em prol da "flexibilização regulatória". A ministra do Meio Ambiente, Miaota Farnbra, já sinalizou que pode reavaliar o quadro político, e o mercado espera, em geral, que a meta de 80% para 2030 seja reduzida para uma faixa entre 50% e 70%. Há ainda rumores de que o governo também estaria avaliando a expansão da exploração de petróleo e gás no Mar do Norte.

Ironicamente, reforços anteriores dessas metas ocorreram principalmente durante governos conservadores (como o de Boris Johnson), enquanto essa reversão, liderada agora pelo Partido Trabalhista — que se autoproclama "de esquerda moderada" —, caso concretizada, poderia torná-lo o partido que mais vezes enfraqueceu as metas para veículos elétricos, superando até mesmo os conservadores.

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